jul/26 | em Notícias

Por que fazer doutorado sanduíche nos EUA? A bolsa Fulbright abre portas nos EUA e no mundo

O que leva pesquisadores brasileiros a escolherem os Estados Unidos para desenvolver parte do doutorado? Além de reunir algumas das universidades mais reconhecidas do mundo, como Harvard, Stanford, Yale e New York University (NYU), o país oferece acesso a laboratórios de ponta, pesquisadores de referência e uma ampla rede de colaboração científica internacional. Em 2026, a Fulbright Brasil e a Capes mantiveram a oferta de até 50 bolsas de Doutorado Sanduíche (DDRA), para que doutorandos brasileiros realizem parte de suas pesquisas em universidades norte-americanas.

Mas o que muda, na prática, para quem realiza um doutorado sanduíche com a bolsa Fulbright nos EUA?

Como integrante da rede global Fulbright, o bolsista passa a fazer parte de uma comunidade internacional reconhecida por sua excelência acadêmica e por sua contribuição para o fortalecimento da cooperação científica entre o Brasil e os Estados Unidos. A experiência contribui para elevar a qualidade da tese, ampliar a visibilidade internacional da pesquisa desenvolvida no Brasil e estabelecer parcerias acadêmicas de longo prazo.

As experiências de três pesquisadores brasileiros que, no ano acadêmico de 2025/2026 passaram por universidades como University of California, Davis (UC Davis), New York University (NYU) e University of California, Los Angeles (UCLA) mostram que os principais ganhos vão muito além do período no exterior. Eles relatam acesso a especialistas internacionais, novas metodologias, participação em conferências de referência e a construção de redes de colaboração que continuam depois do retorno ao Brasil.

O que um doutorado sanduíche nos Estados Unidos oferece?

Cada projeto é único, mas as experiências dos bolsistas mostram benefícios que aparecem em diferentes áreas do conhecimento.

Acesso a pesquisadores que são referência mundial

Uma das maiores vantagens de realizar parte do doutorado nos Estados Unidos é trabalhar diretamente com pesquisadores reconhecidos internacionalmente.

Foi essa a experiência da pesquisadora Daniela Nigri, doutoranda da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que desenvolveu parte de sua pesquisa na Tisch School of the Arts da New York University (NYU).

Durante o período como pesquisadora visitante, Daniela aprofundou seu trabalho sobre cultura visual, cinema e fotografia sob orientação de uma das principais especialistas de sua área. Também participou de seminários, apresentou sua pesquisa em conferências acadêmicas, teve acesso a bibliotecas especializadas e participou da Society for Cinema and Media Studies, um dos principais encontros internacionais da área, além de um evento sobre estudos brasileiros na Columbia University.

Bolsista e doutorado sanduíche nos EUA, Daniela Nigri em conferência na Columbia University com diversas pessoas em volta de uma mesa
Bolsista e doutorado sanduíche nos EUA, Daniela Nigri, na Columbia University

Para ela, a internacionalização da pesquisa deixou de ser um objetivo futuro e passou a fazer parte do próprio processo de produção do conhecimento.

Novas metodologias e colaboração internacional

O doutorado sanduíche também amplia as possibilidades de colaboração científica.

Na University of California, Davis (UC Davis), o pesquisador Victor Gonçalves da Silva, doutorando da Unicamp, aprofundou pesquisas sobre ambiência vegetal e inteligência artificial aplicada ao cultivo de Cannabis Medicinal.

A convivência diária com pesquisadores de diferentes países permitiu incorporar novas perspectivas científicas ao projeto e fortalecer colaborações internacionais que devem continuar após o término da bolsa.

Vitor Gonçalves da Silvia sentado em muro que diz "UC Davis"
Vitor Gonçalves da Silvia na UC Davis

Segundo Victor, a experiência mostrou que ciência é construída a partir do diálogo entre diferentes culturas e formas de pensar. Além de fortalecer sua pesquisa, a vivência ampliou sua atuação em redes internacionais e reforçou seu compromisso com o desenvolvimento de tecnologias voltadas ao acesso seguro e baseado em evidências para a saúde.

Levar pesquisas brasileiras para o debate internacional

A internacionalização também fortalece pesquisas que tratam de desafios brasileiros.

Na UCLA, a arqueóloga Marília Oliveira Calazans desenvolveu parte de seu doutorado sobre materialidade e violência de Estado a partir do caso Carandiru.

Marília Oliveira Calazans na frente de uma tela com uma imagem de power point
Marília Oliveira Calazans, bolsista de doutorado sanduíche 2025/2026

Durante sua estadia nos Estados Unidos no ano acadêmico 2025/2026, a doutoranda da Universidade de São Paulo (USP) participou de debates com pesquisadores de diferentes países, ampliou sua rede de colaboração e levou um tema brasileiro para discussões internacionais sobre arqueologia, direitos humanos e memória.

Segundo Marília, a experiência reforçou a confiança de que pesquisas produzidas em universidades públicas brasileiras podem contribuir para debates científicos globais e gerar impacto muito além das fronteiras nacionais.

O que os três pesquisadores têm em comum?

Embora desenvolvam pesquisas em áreas muito diferentes, os relatos apresentam pontos em comum.

Os pesquisadores destacam que o doutorado sanduíche nos Estados Unidos permitiu:

  • trabalhar com especialistas reconhecidos internacionalmente;
  • acessar laboratórios, bibliotecas e infraestrutura de pesquisa;
  • participar de conferências internacionais;
  • construir redes de colaboração de longo prazo;
  • fortalecer pesquisas desenvolvidas em universidades brasileiras;
  • ampliar a inserção internacional de seus projetos e de suas futuras carreiras acadêmicas.

Outro aspecto recorrente é o sentimento de pertencimento à comunidade Fulbright.

Daniela Nigri (esq.) durante Fulbright seminar com outros bolsistas Fulbright
Daniela Nigri (esq.) durante Fulbright seminar com outros bolsistas Fulbright

Os três descrevem a experiência como a entrada em uma rede internacional de pesquisadores comprometidos com a cooperação científica, o intercâmbio de conhecimento e o diálogo entre diferentes culturas. Mais do que um período de pesquisa no exterior, a bolsa representa o início de conexões acadêmicas que permanecem ao longo da carreira.

Vale a pena fazer doutorado sanduíche nos Estados Unidos?

Para quem pretende seguir carreira acadêmica ou atuar em pesquisa de alto nível, realizar parte do doutorado em uma universidade americana pode ampliar significativamente as oportunidades de formação.

Além da produção científica, a experiência oferece contato com novas metodologias, diferentes formas de conduzir pesquisas, colaboração internacional e maior visibilidade para estudos desenvolvidos no Brasil.

Os depoimentos dos bolsistas mostram que a experiência internacional não substitui a pesquisa realizada nas universidades brasileiras. Pelo contrário, ela fortalece projetos já em andamento e cria oportunidades para que esses trabalhos dialoguem com pesquisadores de diferentes partes do mundo.

Mais oportunidades para pesquisadores brasileiros

Desde 2025, a Fulbright Brasil anunciou a ampliação do número de bolsas do programa de Doutorado Sanduíche (DDRA), aumentando as oportunidades para doutorandos brasileiros realizarem parte de suas pesquisas nos Estados Unidos.

Marília Oliveira Calazans, bolsista de doutorado sanduíche da Fulbright

O edital 2026/2027 prevê até 50 bolsas para pesquisadores matriculados em programas de doutorado de universidades brasileiras, consolidando o doutorado sanduíche um dos maiores da Fulbright Brasil.

Vale a pena fazer doutorado sanduíche nos EUA?

Para pesquisadores que desejam ampliar sua rede acadêmica, acessar especialistas internacionais e fortalecer a qualidade de suas pesquisas, a experiência pode representar um importante diferencial na formação e na carreira científica.

Quanto tempo dura a bolsa Fulbright de doutorado sanduíche?

A bolsa é concedida para o ano acadêmico das universidades dos EUA. A duração total é de nove meses, entre agosto/setembro e maio/junho do ano seguinte, período em que o pesquisador desenvolve parte de sua pesquisa em uma universidade dos Estados Unidos.

Quais os valor da bolsa Fulbright para doutorado sanduíche nos EUA em 2027/2028

Além do acesso a laboratórios, bibliotecas e grupos de pesquisa de referência mundial, os bolsistas recebem um pacote completo de benefícios, que inclui bolsa mensal de manutenção entre US$ 2.830 e US$ 4.300, conforme o custo de vida no campus da universidade, auxílio-instalação de US$ 2.000, passagens aéreas internacionais de ida e volta, seguro para acidentes e doenças (ASPE), taxas de emissão do visto J-1, e todos os custos para participação na orientação pré-partida em São Paulo.

Bolsa mensalAlguns exemplos universidades
US$ 2.830University of Notre Dame • Purdue University • University of Missouri
US$ 3.075University of Florida • University of Texas at Austin • University of Michigan
US$ 3.231Duke University • Georgia Tech • Brown University
US$ 3.742Yale University • Princeton University • University of Washington
US$ 4.300Harvard University • MIT • Stanford University

Preciso ter aceite uma universidade americana para me candidatar?

Sim. O candidato deve escolher a instituição anfitriã, estabelecer contato com um pesquisador e apresentar uma carta de aceite no momento da candidatura.

A Fulbright paga as mensalidades da universidade?

Não. A bolsa oferece benefícios como auxílio financeiro, passagem aérea, seguro saúde limitado e outros apoios previstos no edital. Eventuais custos cobrados pela universidade anfitriã devem ser verificados diretamente com a instituição. Na turma de bolsistas 2025/2026, por exemplo, todos Fulbrighters tiveram tuition fees isentadas pelas universidades anfitriãs. 

Quais áreas podem participar?

O programa contempla diversas áreas das ciências da vida, engenharias, ciências exatas, humanas, sociais aplicadas, artes e outras áreas previstas no edital vigente.

Como posso me preparar para uma candidatura?

Os bolsistas costumam destacar alguns fatores importantes: desenvolver um projeto de pesquisa consistente, identificar um pesquisador nos Estados Unidos cuja atuação seja compatível com o tema da pesquisa, construir uma boa carta de aceite e preparar a candidatura com antecedência.

O doutorado sanduíche nos EUA da Fulbright

Se você está cursando doutorado em uma universidade brasileira e deseja ampliar o alcance internacional da sua pesquisa, conheça o programa de Doutorado Sanduíche (DDRA) da Fulbright Brasil. As inscrições para 2027/2028 estão abertas até 3 de agosto.


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